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Cai na prova Tema cobrado com frequência, ancorado na diretriz vigente
Eletrocardiograma

BAVT e marcapasso transcutâneo · reconhecer no ECG, tratar na sala e saber quando as pás bastam

BAVT e marcapasso transcutâneo · reconhecer no ECG, tratar na sala e saber quando as pás bastam

O bloqueio atrioventricular total é a bradiarritmia que mais assusta e a que menos perdoa demora. O átrio bate, o ventrículo bate, e nenhum dos dois sabe do outro. O que mantém o paciente vivo é um ritmo de escape que pode falhar a qualquer momento, e por isso o tratamento começa antes da confirmação do diagnóstico: com as pás do marcapasso já coladas no tórax.

O que procurar no traçado

Três perguntas que fecham o bloqueio atrioventricular total
1As ondas P têm ritmo próprio? Marque os intervalos P-P com um papel: no bloqueio total eles são regulares, e a frequência atrial é maior que a ventricular.
2Os QRS têm ritmo próprio? Os intervalos R-R também são regulares, mais lentos, e o intervalo PR muda a cada batimento porque P e QRS não têm relação.
3De onde vem o escape? QRS estreito com frequência de 40 a 60 é escape juncional. QRS largo com frequência abaixo de 40 é escape ventricular, mais instável e mais perto da assistolia.

Infográfico Aevora. A dissociação atrioventricular com frequência atrial maior que a ventricular é o que separa o bloqueio total dos outros tipos de dissociação.

Dois erros são frequentes. O primeiro é ler um bloqueio de segundo grau 2:1 como total: no 2:1, cada QRS vem depois de uma P com PR fixo, e no total o PR varia. O segundo é chamar de bloqueio total uma bradicardia sinusal com ritmo juncional: ali a frequência atrial é igual ou menor que a ventricular, sem bloqueio nenhum.

Causas que mudam a conduta

O que procurar enquanto as pás são coladas
CausaPistaO que muda
Infarto agudoDor torácica, supra de ST. Na parede inferior o bloqueio costuma ser nodal, com escape estreito; na anterior, infranodal, com escape largoReperfusão é o tratamento do bloqueio. O bloqueio da parede anterior tem mais chance de precisar de marcapasso definitivo
DrogasBetabloqueador, verapamil ou diltiazem, digoxina, amiodarona, em especial com insuficiência renalSuspender, e usar o antídoto quando existir: glucagon, cálcio, insulina em dose alta, anticorpo antidigoxina
HipercalemiaInsuficiência renal, T apiculada, QRS alargadoCálcio intravenoso primeiro, e o bloqueio costuma desaparecer com o potássio
Degeneração do sistema de conduçãoIdoso, sem causa aguda, bloqueio de ramo prévio no ECG antigoMarcapasso definitivo. O transcutâneo é ponte
Doença de Chagas, endocardite, doença de Lyme, miocarditeEpidemiologia e contextoTratamento da causa e avaliação de marcapasso conforme a evolução

Infográfico Aevora, elaborado a partir de Kusumoto et al., Circulation, 2019, e de Glikson et al., European Heart Journal, 2021.

A sequência de tratamento

Bradicardia com sinal de instabilidade · o algoritmo
Bloqueio atrioventricular totalHipotensão, rebaixamento, dor isquêmica, insuficiência cardíaca ou choque presentes?
↓
InstávelPás coladas e marcapasso pronto desde o primeiro minuto
↓
Atropina 1 mg, repetida a cada 3 a 5 minutos, até 3 mgPouco efeito no bloqueio infranodal com escape largo
↓
Marcapasso transcutâneoSe falhar ou atrasar: dopamina 5 a 20 mcg/kg/min ou adrenalina 2 a 10 mcg/min
↓
Marcapasso transvenoso e avaliação de definitivo
EstávelSem sinal de baixo débito, escape confiável
↓
Monitorização contínua, pás coladas, causa reversível tratada
↓
Avaliação de marcapasso definitivo

Infográfico Aevora, elaborado a partir do algoritmo de bradicardia de Panchal et al., Circulation, 2020, e de Kusumoto et al., 2019. Doses de adulto.

A atropina em dose de 1 mg é a mudança que a diretriz de 2020 trouxe, no lugar dos 0,5 mg antigos. Ela funciona quando o bloqueio é nodal, com escape estreito. No bloqueio infranodal, com QRS largo, ela pode até piorar a relação de condução ao acelerar o átrio, e o marcapasso não deve esperar por ela.

Marcapasso transcutâneo: captura elétrica e captura mecânica

Como instalar e como saber que funcionou
  1. 1
    Analgesia e sedação leveA corrente dói. Fentanil ou morfina, com midazolam em dose baixa se a pressão permitir. Avisar o paciente consciente do que vai sentir.
  2. 2
    Pás em posição anteroposteriorUma pá sobre o ápice, à esquerda do esterno, e a outra nas costas, entre a escápula e a coluna. A posição anteroposterior captura com menos corrente que a anterolateral.
  3. 3
    Modo demanda, frequência de 60 a 80Ajuste a frequência acima da do escape. Começar em 70 é razoável no adulto.
  4. 4
    Suba a corrente até a captura elétricaComece em 0 e aumente de 10 em 10 mA. Captura elétrica é a espícula seguida de QRS largo com onda T na direção oposta, em todos os batimentos.
  5. 5
    Confirme a captura mecânicaPulso femoral na mesma frequência do marcapasso, ou onda de pletismografia ou de pressão arterial invasiva a cada espícula. A contração muscular do tórax engana o pulso carotídeo.
  6. 6
    Deixe a corrente com margemCorrente final 5 a 10 mA acima do limiar de captura. Confira a captura a cada mudança de posição do paciente e a cada 15 minutos.
Espícula sem pulso · não capturou Pulso femoral, nunca o carotídeo Anteroposterior captura com menos corrente

O erro que mais custa vidas com o transcutâneo é confiar na tela. A espícula sempre aparece; o QRS largo depois dela é a captura elétrica; o pulso na mesma frequência é a captura mecânica. Só a terceira mantém o paciente perfundido. E o transcutâneo é ponte: quem precisou dele precisa de transvenoso ou de definitivo em poucas horas.

Na prática do plantão

Do monitor ao marcapasso
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    Cole as pás antes de discutir o ECGFrequência abaixo de 40 ou QRS largo com bradicardia: pás coladas e marcapasso em demanda enquanto você lê o traçado.
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    Feche o diagnóstico com o papelP-P regular, R-R regular, PR que muda: bloqueio total. QRS estreito ou largo diz de onde vem o escape e o quanto ele é confiável.
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    Procure a causa reversível em paraleloECG de 12 derivações para o infarto, potássio, lista de remédios e função renal. Cálcio na hipercalemia e antídoto na intoxicação tratam o bloqueio.
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    Atropina só como tentativa, marcapasso como plano1 mg de atropina no escape estreito. No escape largo, marcapasso sem esperar. Dopamina ou adrenalina se o marcapasso falhar ou atrasar.
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    Acione a ponte seguinteMarcapasso transvenoso e avaliação de definitivo. Bloqueio total sem causa reversível é indicação de marcapasso definitivo, com ou sem sintoma.
Escape largo · marcapasso sem esperar a atropina Atropina 1 mg, até 3 mg Transcutâneo é ponte, nunca destino

O bloqueio atrioventricular total dá pouco tempo e pede pouca discussão. O traçado se reconhece em três perguntas, o tratamento começa com as pás coladas, e a única prova de que o marcapasso funciona é o pulso do paciente.

Simulador de Pronto-Socorro

Agora é a sua vez de atender

Homem de 76 anos, com tontura e um desmaio em casa. O monitor mostra frequência de 34. Você vai ler o traçado, escolher entre atropina e marcapasso, instalar o transcutâneo e provar que ele está capturando.

Atender o caso →
Dr. Hélio Pires
Dr. Hélio Pires
Cardiologista

Bradiarritmias e marcapasso transcutâneo são treinados em simulação no curso de Urgências e Emergências da Aevora.

Curso de Urgências e Emergências →
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Conteúdo de caráter educacional, dirigido a médicos e estudantes de medicina. As análises publicadas neste blog servem de apoio ao estudo e não substituem o julgamento clínico, a avaliação presencial do paciente nem as diretrizes oficiais das sociedades médicas.